Abiniel João Nascimento: Jirau

17.01 – 11.03.2026

Texto

Yuri Quevedo

Exposição aberta para visitação

Sobre a exposição

Jirau é o nome da primeira individual de Abiniel João Nascimento (Carpina, PE, 1996) na capital paulistana, realizada em parceria pela Claraboia e Marco Zero. A exposição reúne um conjunto inédito de pinturas e esculturas produzidas especialmente para a ocasião.

Seu título faz referência às construções vernaculares de madeira, normalmente em formato de estrado ou palanque, que servem aos mais diferentes propósitos: lugar de descanso; armazenagem de alimentos; e, sobre brasas, como fumeiro. A multiplicidade de usos dessa peça de marcenaria dá o tom para a mostra em que são reunidos cerca de 15 trabalhos inéditos da artista.

Nela, as obras de Abiniel movimentam gestos plásticos e escultóricos, investigando os modos de transmutação das relações entre humanidade e vida vegetal, com foco nas dinâmicas da vida vegetal e nas formas de sociabilidade em seu território de origem (Zona da Mata Norte de Pernambuco).

As fibras das folhas secas da palmeira carnaúba, por exemplo, são transformadas em matéria escultórica. Elas aparecem suspensas por hastes de alumínio, com formas abertas e fluidas que refletem a própria trama da planta. Já a relação entre espécie e indivíduo, tema recorrente em sua produção, surge nas pinturas da série Inventário errante das plantas-irmãs, em que espécies nativas são fotografadas pela artista e identificadas por geolocalização no título de cada obra. As silhuetas dessas imagens são então pintadas de modo mais “anônimo”, destacando formas e contornos.

Com isso, o trabalho tensiona as visões individuais e taxonômicas da espécie que entram em um confronto patente. Jirau ainda apresenta a série de Barrigudas que consiste em esculturas de cerâmica e cera de abelha que armazenam diversas espécies de sementes. Por fim, dois trabalhos inéditos de tinta a óleo sobre tecido traduzem em regime de abstração os modos de roçado praticados no cultivo da terra desse território.

 

Sobre a artista

Abiniel João Nascimento é representada pela galeria Marco Zero. Sua pesquisa explora as temporalidades dos animais, vegetais e minerais, entrelaçando-os em uma mesma historicidade compartilhada com a vida social. Partindo de cosmologias indígenas, ela questiona o antropocentrismo e encontra no mundo vegetal a matéria base que transforma em escultura, pintura, cerâmica e instalação. Dentre as individuais mais importantes de sua trajetória, destacam-se: A grande boca, Oficina Francisco Brennand, Recife (2025); e Além. Aquém. Aqui., Galerie Paradise, Nantes, França (2022). Dentre suas coletivas mais recentes, destacam-se ARCHIVES #8: Résidences croisées France & Brésil, Galerie Paradise, Nantes, França (2025); e Terra, Claraboia, São Paulo (2025). Possui obras em acervos públicos, como o Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro; o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, Recife; e o Museu de Artes Plásticas de Anápolis, Goiás.

Participou de importantes residências nacionais, como Sertão Negro, Goiânia, Brasil (2025); Terra Saúva, Botucatu, Brasil (2024); e Pivô Pesquisa, São Paulo, Brasil (2023). Também integrou residências internacionais na Galerie Paradise, Nantes, França (2022), e na École Nationale Supérieure d’Arts à la Villa Arson, Nice, França (2024).

Obras

2025

Pinhão Bravo (-7.780182, -35.369192)

Abiniel João Nascimento

2025

Antítese do Tempo (Tymbaba)

Abiniel João Nascimento

2025

Barriguda #8

Abiniel João Nascimento

2025

Barriguda #3

Abiniel João Nascimento