Canção sublime, notas para o infinito
Curadoria
Ariana Nuala
Sobre a exposição
Canção sublime, notas para o infinito é a nova coletiva da Claraboia, que reúne obras de 22 artistas de diferentes territórios e gerações sob curadoria de Ariana Nuala.
A exposição propõe a canção como uma “imagem de acesso”: um portal para o conhecimento, a experiência espiritual e a reflexão política, oferecendo uma forma de compreender o mundo em sua dimensão ativa e emaranhada.
O ponto de partida da mostra é o Bhagavad-Gita, texto central do hinduísmo que narra o diálogo entre o príncipe Arjuna e o deus Krishna — “uma meditação sobre o sentido de agir no mundo”, nas palavras da curadora. Nesse contexto, a espiritualidade não surge como refúgio, mas como força criadora de mundos, em que a voz é passagem, resistência e horizonte infinito.
Assim como no cântico, a seleção de obras nos conduz a uma ação consciente, reverberando formas de resistência diante das forças que tentam reduzir a vida à sua utilidade. Reúnem-se, assim, trabalhos de qualidade etérea, que observam o mundo a partir dos saberes ancestrais, da transcendência e de noções de tempo que escapam às regras terrenas.
“As obras reunidas não descrevem passagens espirituais; ensaiam estados — presença, dispersão, recolhimento, deslocamento. Cada uma propõe modos de afinar a atenção e sustentar a coexistência, reabrindo vínculos entre matéria e pensamento”, pontua Ariana Nuala.
Entre representações de seres espectrais, meditações, tempos astrais e portais metafísicos, as obras reunidas compõem um verdadeiro cântico instigante, firmando alternativas menos hegemônicas para nossa regulação do sensível.