Sobre a exposição
Prelúdio ao Fulgor se organiza a partir de diferentes modos de relação com o brilho, não como espetáculo, mas como uma qualidade que se infiltra na matéria e orienta formas de sensibilidade.
Nas obras, o fulgor não é homogêneo. Ele aparece em escalas distintas: às vezes mínimo, quase doméstico, como nos pequenos brilhos que atravessam superfícies e evocam a delicadeza de porcelanas e bibelôs; outras vezes, como um impulso de crescimento, uma espécie de fotossíntese formal em que a matéria parece se orientar em direção à luz, como numa dança silenciosa voltada ao sol.
Há também um brilho que se constrói em camadas — instável, cambiante — que emerge da própria pele das obras, como se a luz não estivesse sobre elas, mas sendo produzida a partir de dentro. E, em outro registro, um campo mais amplo se abre: uma consciência que desloca o olhar para além da escala terrestre, sugerindo uma sintonia entre matéria, energia e uma dimensão astral.
Nas pinturas, o brilho nem sempre se oferece de imediato. Ele vacila, se retrai, reaparece como um quase — uma imagem em suspensão que parece se formar e desfazer ao mesmo tempo. Há uma qualidade espectral nessa aparição, em que a luz não revela por completo, mas mantém o olhar em estado de espera, como se ver fosse também lidar com aquilo que não chega a se fixar.
Pensado como um prelúdio, esse agrupamento retira o brilho do campo da evidência para o da iminência. As obras operam nesse intervalo — um antes da forma estabilizada — onde a luz não se afirma plenamente, mas se organiza em sinais, resíduos e processos de aparecimento.
Participam do projeto Bel Ysoh, Bernardo Liu, Gabriel Roemer, Loren Minzú e Renato Rios.
Artistas participantes
- Bel Ysoh
- Bernardo Liu
- Gabriel Roemer
- Loren Minzú
- Renato Rios
Obras
A Sublime canção
Loren Minzú
Artemísia
Renato Rios
Fruta e ferro
Bernardo Liu