Hugo Sá

1989, Caruaru, PE, Brasil

Vive e trabalha em São Paulo, SP, Brasil

Sobre o artista

Hugo Sá tem uma prática que perpassa pintura, fotografia, escultura e cenografia. Nascido em Caruaru, Pernambuco, cresceu imerso na cultura das feiras populares, em contato próximo com mestres do barro do Alto do Moura, como o mestre Galdino, e com o movimento cultural do Boi Tira Teima. Formado em Fotografia pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP, 2014), mudou-se para São Paulo em 2015 e, em 2019, iniciou uma pesquisa em artes visuais e cenografia, fotografando diversas peças do Teatro Oficina.

Sá interessa-se pela fatura e pela elaboração construtiva desde a infância, quando se perdia no labirinto de feirantes e vendedores de rua entre sua casa e sua escola. Observar a disposição dos objetos e das barracas, muitas vezes improvisadas, moldou o pensamento composicional do artista. O resgate dessas lembranças de infância e das paisagens afetivas de sua formação constitui um terreno fértil para suas obras.

Elementos como barracões, barracas de feira, tendas e cenários precários alimentam um vocabulário formal recorrente na pesquisa de Sá, especialmente em sua pintura. Os traços que os caracterizam se transformam, sugerindo outras formas: linhas abauladas de tendas tornam-se meias-luas; triângulos que representam vasos, em outros momentos sugerem casas. É recorrente em suas obras um campo de cor horizontal na parte inferior da tela, que pode ser interpretado como base ou aterramento, sobre o qual os fragmentos repousam. Por meio de contato, tangenciamento, alinhamento, simetria e sobreposição, o artista cria diálogos entre os elementos e articula cenários e arquiteturas, nos quais equilíbrio e movimento se manifestam. O movimento também se insinua por meio de ranhuras, que revelam uma camada de tinta de fundo e conferem densidade e textura às cores terrosas e cinzas que predominam em suas obras. As marcas atraem e orientam o olhar do observador sobre a superfície da pintura, bem como detalhes em cores mais claras, que para o artista funcionam como pontos de luz.

Com um senso de composição e uma apuração técnica desenvolvidos a partir de um olhar sensível ao entorno e às práticas culturais populares, Sá demonstra uma habilidade singular de sintetizar percepções cotidianas em experiências visuais.

Realizou a individual Bicho feira, Galeria Número, Recife (2026), e participou de coletivas como Luminares, Refresco, Rio de Janeiro (2026); da exposição inaugural da Galeria Crua, São Paulo (2017); e do Bazar 220v, Autivistas, São Paulo (2017). Seus trabalhos também foram selecionados para as capas das edições brasileiras dos livros A porta da viagem sem retorno (2021) e Irmão de alma (2020), do escritor David Diop, publicados pela Editora Nós.

Ler mais

Obras

Palco ritual

Hugo Sá, 2026

Fruteira dança

Hugo Sá, 2026

Arco baile

Hugo Sá, 2026

Mesa

Hugo Sá, 2026

Festa do interior

Hugo Sá, 2026

Dança lenta

Hugo Sá, 2026

Balanças e bolas de gude

Hugo Sá, 2026

Haikai sertanejo

Hugo Sá, 2026