Bernardo Liu
1992
Vive e trabalha no Rio de Janeiro
Sobre o artista
A pesquisa de Bernardo Liu opera entre memória afetiva e deslocamento cultural, explorando como heranças orientais sobrevivem, se transformam e se reorganizam no cotidiano brasileiro. Descendente de imigrantes chineses, Liu lida com a ancestralidade não como retorno a uma origem fixa, mas como camada instável, marcada por lacunas, apagamentos e reinvenções. Sua obra opera nesse intervalo, onde tradição, nostalgia e globalização se entrecruzam sem síntese.
Um aspecto central de sua prática é a criação do que o artista chama de “tapeçarias afetivas”, superfícies visuais que acumulam signos, objetos e referências que funcionam como fragmentos de histórias familiares e culturais. Esses elementos raramente aparecem de forma direta ou narrativa; ao contrário, surgem como vestígios, ecos ou indícios, compondo uma visualidade que fala mais de presença residual do que de representação explícita.
Para Liu, a ancestralidade não é um símbolo estático, mas um modo de circulação. Suas obras tratam de como os objetos (de porcelanas a pequenos talismãs orientais, de padrões gráficos a itens domésticos) carregam camadas de sentido que atravessam gerações, migrações e fronteiras simbólicas. Investiga a trajetória desses objetos como parte de uma economia global marcada por consumo, exotização e deslocamento, mas também por afeto, cuidado e memória.
A globalização, em sua poética, não aparece como tema abstrato, e sim como fenômeno vivido: o cruzamento entre Rio de Janeiro e China acontece no nível do corpo, da casa, da lembrança. Seus trabalhos problematizam a condição híbrida do sujeito diaspórico, que habita simultaneamente uma cultura herdada e uma cultura vivida, sem que nenhuma delas se imponha de modo absoluto.
Assim, a obra do artista constrói uma visualidade onde memória, deslocamento e imaginário doméstico formam uma trama não linear, nem totalmente legível, mas profundamente afetiva. Ele reinscreve no presente aquilo que persiste pelas bordas: pequenos objetos, gestos cotidianos, restos de imagens que funcionam como âncoras de identidade. Sua prática mostra que a memória oriental no Brasil não é apenas um arquivo histórico, mas uma matéria viva em constante negociação, carregada de tensão e delicadeza.
Liu realizou as individuais Alva, Hua International, Berlim, Alemanha (2026), em parceria com a Claraboia; Ba Bao Fan, Galeria Refresco, Rio de Janeiro (2025), e Ginseng, Largo das Artes, Rio de Janeiro (2024). Participou de mostras coletivas nos últimos anos, dentre elas: Oasis Graal, Espaço Caroço, São Paulo (2025); Quermesse, Instituto Inclusartiz, Rio de Janeiro (2022); e Catavento23, exposição independente realizada em São Cristóvão, Rio de Janeiro (2023). Em 2023, também foi co-idealizador da exposição TANGRAM, ao lado de Daniel Frickmann.
Obras
Sapo de copas
Bernardo Liu, 2026
Passeio
Bernardo Liu, 2026
Tarde de sol
Bernardo Liu, 2026
Vagalumes
Bernardo Liu, 2026
Litchi Chinensis
Bernardo Liu, 2026