Samara Paiva
Maués, AM, 1995
Vive e trabalha em São Paulo SP, Brasil.
Sobre a artista
Samara Paiva investiga, por meio da pintura, as possibilidades do corpo em relação a certos estados emocionais e ao espaço íntimo e doméstico. Suas telas apresentam figuras em situações de recolhimento e vulnerabilidade, em composições que evocam tanto uma carga emocional e subjetiva quanto uma reflexão social. Embora parta da figuração, sua pintura cria atmosferas específicas — marcadas por contrastes baixos, sombras, névoas e uma certa tremulação da imagem — que infundem as cenas com uma densidade narrativa e um magnetismo próprio. Nessa oscilação entre o concreto e o invisível, entre a figura e a sugestão, o trabalho da artista abre espaço para fabulações que expandem a experiência dos corpos representados.
A intimidade constitui um dos eixos centrais de sua pesquisa, entendida não como retraimento, mas como espaço de elaboração de si, de cuidado e de autopreservação. Em suas pinturas, o ambiente doméstico deixa de funcionar como pano de fundo para tornar-se extensão dos estados internos dos corpos que abriga. Esse mesmo interesse atravessa suas naturezas-mortas, nas quais objetos cotidianos, vestígios de consumo e hábitos particulares operam como índices da construção de subjetividades, sugerindo identidades que se revelam menos pela presença de um personagem do que pelos rastros que ele deixa no espaço.
Partindo da figuração, Paiva desenvolve uma linguagem pictórica marcada por contrastes contidos e uma paleta de tonalidades terrosas e escurecidas que aproxima corpo e ambiente, dissolvendo as fronteiras entre ambos. A matéria da pintura atua menos como descrição do real do que como estrutura sensível capaz de sustentar atmosferas de suspensão e permanência, deslocando a imagem da lógica do acontecimento para um campo em que a duração se impõe como experiência. Em vez de conduzir o olhar, suas pinturas o retêm, convidando o espectador a compartilhar um tempo desacelerado em que presença, memória e espaço se constituem mutuamente.
A artista participou da residência Pivô Arte e Pesquisa, em São Paulo, Brasil (2023). Realizou as exposições individuais Dark in Darkness, na Gaby Vera Fine Arts, em Madrid, Espanha (2025); Retratos de um espaço tempo, na Casa do Benin, em Salvador, Brasil (2024); e Dançar no Sol e descansar na Lua, na galeria Nonada, no Rio de Janeiro, Brasil (2024). Entre as coletivas internacionais, destacam-se Wet Pain, na Turf Projects, em Croydon, Reino Unido (2025), e sua participação na Zona Maco, na Cidade do México, México (2023). No circuito nacional, participou de Pequenas Pinturas III, na auroras, em São Paulo, Brasil (2025); Dos Brasis, no Sesc Quitandinha, em Petrópolis, Brasil (2024–2025); Nem só de corpo veste a Alma, no Tropigalpão, no Rio de Janeiro, Brasil (2024); Aeroporto (curadoria de Castiglioni e Thomaz Rosa), em São Paulo, Brasil (2024); Pipoca, na galeria Nonada, em Salvador, Brasil (2024); Caos Primordial, na galeria Nonada, no Rio de Janeiro, Brasil (2023–2024); Dos Brasis, no Sesc Belenzinho, em São Paulo, Brasil (2023–2024); Do vôo às narinas respirar, braços largos, mensagens ao vento, em São Paulo, Brasil (2023); e na SP–Arte – Rotas Brasileiras, em São Paulo, Brasil (2022).
Obras
Colo II
Samara Paiva, 2026
Gosto de lençois brancos mas escolhi coloridos por você
Samara Paiva, 2026
Quarto de dormir
Samara Paiva, 2026
Ritual
Samara Paiva, 2026
Olhe para mim antes do por do sol
Samara Paiva, 2024