Ana Sant’Anna
1992, Salvador, BA, Brasil
Vive e trabalha em Salvador, BA, Brasil
Sobre a artista
Ana Sant’Anna trabalha com pintura, fotografia e desenho, abordando temas relacionados à transitoriedade, ao tempo não cronológico e à luminosidade. A artista explora os interstícios entre o visível e o que é interiorizado pela experiência humana. Em constante movimento, Sant’Anna assimila paisagens e recolhe pedras, vidros e elementos orgânicos que habitam as suas imagens, repletas de transições cromáticas e lampejos de luz. As representações de horizontes, orlas e montanhas dão forma às suas reflexões e inquietações existenciais. Para a artista, pintar funciona como uma “meditação ativa”, uma ferramenta de autoinvestigação capaz de abrir um espaço de silêncio, equilíbrio e descanso — tanto para ela quanto para quem entra em contato com seu trabalho.
Sua produção artística começou pela fotografia, em 2011, ainda durante o curso de Museologia na UFBA, em Salvador, Bahia. Entre 2017 e 2020, viveu em São Paulo, onde cursou o mestrado em Processos de Criação na PUC-SP. Com a pandemia, retornou a Salvador, cidade que, por se adequar melhor à sua sensibilidade, catalisou sua produção. A artista introduziu a pintura em sua prática ao perceber que a conceituação visual que estava construindo demandava outros instrumentos expressivos. Experimentou primeiramente com pastel oleoso sobre papel; em outro momento acrescentou o bastão oleoso, testando a interação entre ambos os materiais e o uso dos dedos, desenvolvendo no processo uma técnica pessoal. Em 2023, a artista realizou uma residência artística na Chapada Diamantina, na Bahia, que trouxe para seu repertório paisagístico as montanhas.
Diante da tela ou do papel, Sant’Anna recorre a memórias e reminiscências. As camadas finas de tinta a óleo, diluídas em solvente, dissolvem o traço do pincel e criam uma atmosfera de névoa. Suas obras tateiam estados de suspensão que, ao longo da pesquisa, migraram da fotografia para o desenho e a pintura. As tonalidades azuis dominam um período de sua produção, no qual orlas de praia, geleiras e outras paisagens revelam um olhar investigativo em busca de transcender o tempo da vida humana. Uma experiência marcante durante uma residência na Amazônia — o desconforto causado pela ausência de horizonte em meio à densidade da floresta — reforçou a imagem do mar como ícone de infinitude, amplitude e possibilidade de integração do ser com o todo.
Recebeu o Prêmio Branco de Melo (2022), da Fundação Cultural do Pará; e o Prêmio Estímulo do 19º Salão Ubatuba de Artes Visuais (2023). Realizou residências no Instituto Sacatar, Itaparica, no programa Labverde, Manaus, e no Mirante Xique-Xique, Igatu. Realizou a mostra individual Maré, ArteFASAM, São Paulo (2023) e participou de coletivas, entre as quais destacam-se Céu da pedra, Claraboia, São Paulo (2026); Telúricos, Nara Roesler, São Paulo, Brasil (2026); Construção, vento e entremarés, respectivamente com Claraboia, São Paulo, e Flexa Galeria, Rio de Janeiro, Brasil (2025). A artista tem obras nas coleções institucionais brasileiras Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP); Fundação Cultural do Estado do Pará, Belém; e Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR).
Obras
Diante de presenças
Ana Sant'anna, 2026
Fluir
Ana Sant'anna, 2023
A borda do dia
Ana Sant'Anna, 2026
Quando a noite é luminosa
Ana Sant'anna, 2026
Deserto habitado
Ana Sant'anna, 2026
Chapada
Ana Sant'anna, 2022